Os dias foram passando...
Muitos “pra direita”, muitos “pra esquerda”.
É fato que chegou uma hora em que estava até difícil administrar tantas conversas ao mesmo tempo.
Sempre ficava aquele receio de trocar nomes, repetir perguntas ou contar as mesmas histórias mais uma vez.
Havia uma maneira simples de resolver isso. Tratar todos como “amor”, “lindo”, “querido” ou qualquer outro apelidinho meloso usado como tática para evitar gafes.
Como pra mim sempre foi complicado ter essa demonstração afetuosa sem ter intimidade, preferia colocar todos os meus neurônios em ação, botar a caixola pra funcionar e me esforçar ao máximo para não dar nenhum fora.
Funcionou.
O que nunca funcionou era sempre responder à temida pergunta: “Onde vocês se conheceram?”
Por que uma simples pergunta como essa pode trazer um peso tão grande na sua resposta?
Para muitas, conhecer um cara no bar da esquina ou conhece-lo no app não tem diferença nenhuma.
O meio para conhecer novas pessoas não importa.
Mas, para mim, já era algo fora do convencional. Principalmente pela fama que esse app carrega: “caçador de sexo casual”.
Confesso que sempre tive uma certa vergonha de expor, mesmo que seja na roda de amigos, que tinha lá um perfil criado.
Para aliviar a tensão do meu preconceito com tal atitude, naqueles poucos caracteres em que temos que nos descrever, finalizava meu texto com os dizeres: “... E pra quem perguntar nos conhecemos na biblioteca!”
Devo dizer que essa frase quebrou muitos “gelos” e foi o ponto de partida de muitas conversas.
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