Refeitos do cansaço e da tediosa segunda-feira, continuamos ininterruptamente nosso papo.
Não precisávamos pensar sobre o que iríamos falar em seguida.
Um assunto puxava o outro e já nem lembrávamos como tudo começou.
"Terça-feira estou de volta a Ribeirão. Tenho retorno no oftalmo. Posso passar pra te ver? Assim, já aproveito e entrego seu chocolate!"
Mesmo com o receio de que ele não pudesse ser um bom sujeito como aparentava, não hesitei e aceitei. O que, a princípio, o espantou. Fazendo-o repetir a pergunta: "posso mesmo?"
"Claro. Se tiver algum problema os seguranças me protegerão de você!"
Eu falava em tom de brincadeira, mas no fundo era verdade. Estava na porta da empresa, em local público e se, realmente um imprevisto acontecesse, eu tinha a quem recorrer.
E, como dito, foi feito.
Após a consulta, era parada obrigatória o meu trabalho.
Toca meu celular, seu número identificado na tela, aquele frio na barriga:
"Estou aqui na porta"
"Já estou saindo"
Uma passada rápida no banheiro para dar aquela conferida na make, ver se o cabelo estava arrumado e se estava pronta para causar uma boa impressão.
É agora.
Lá estava ele. Calça social. Camisa azul. Óculos de sol.
Não sei se dou a mão, se abraço ou se beijo.
Vou deixá-lo fazer as honras.
Abraço e beijo fraternais foi a melhor opção para a saudação de encontro.
Podia sentir minhas mãos trêmulas e suadas de nervoso naquele instante.
Me entregou o chocolate, perguntou sobre o trabalho e sobre nosso seriado favorito.
Agradeci a gentileza, perguntei como tinha sido a consulta médica e pedi que tirasse seus óculos para verificar como estavam seus olhos.
E, apesar de sermos sempre bons comunicadores, naquele momento parece que o assunto acabou.
E um leve silêncio constrangedor tomou conta de nós.
Nos despedimos e cada um seguiu.
Ele, de volta a São Paulo.
Eu, de volta ao trabalho.
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