Por que?
Ainda estava tentando encontrar uma explicação para aquele fato.
Não encontrava.
A questão é que isso me caiu como um tapa de luva de pelica.
Me mostrando como eu havia sido rude e ele, mesmo com tanto desprezo, ainda teve generosidade de me cumprimentar.
Como um choque de arrependimento, vi que precisava me retratar.
Mas, como, se até seu número de telefone eu já havia deletado?
Redes Sociais!
Da mesma maneira que nos encontramos anteriormente, faríamos agora.
Hoje em dia não há uma criatura sequer que não tenha um perfil no Facebook.
Apesar de não lembrar qual era seu sobrenome, é bem simples encontrar qualquer pessoa que use seus dados verdadeiros na descrição.
Uma combinação de nome + cidade, ou nome + empresa e BINGO!
Perfil encontrado.
Nesse ponto, ter a cara de pau de adicionar e mandar mensagem não era nada diante do que já tinha acontecido.
Convite de solicitação de amizade enviado.
Aceito.
Mensagem enviada:
"Bacana te encontrar. Gostei de rever você!"
Mensagem visualizada e respondida.
Como acontecia anteriormente.
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
Vamos pegar o primeiro avião...
O que nos tornara tão próximos, agora nos fazia tão distantes.
Aquele silêncio continuou por dias... Por semanas... Por meses.
Não nos falamos mais.
Não nos vimos mais.
Vez ou outra, alguma memória ainda voltava.
Porém, nenhuma expectativa de reencontro.
Esse mundo virtual me pareceu bastante descartável após esse acontecimento.
Já havia passado 6 meses desde que nos encontramos.
Já quase não lembrava sequer da sua fisionomia.
Maio. Eram minhas férias. Saguão do aeroporto de Ribeirão. Aguardando o embarque para o voo a São Paulo.
De repente, vindo pelas minhas costas, alguém me puxa pelo braço.
"E aí, como é que você tá?"
Tive um pequeno delay para assimilar a informação.
Fred! Lembrei!
Espantada, exclamei há quanto tempo não nos falávamos.
Tivemos uma conversa rápida.
Viagem de férias ou a trabalho. Qual o destino. Quem já tinha ido. Quem não. Como estava o filho. Se o olho estava bem.
O máximo de assunto possível naqueles 5 minutos.
Apesar de ser provável, jamais esperaria encontrá-lo novamente.
E, principalmente, dele vir me cumprimentar.
Afinal, se eu fiz mesmo caras e bocas como todos disseram, ele tinha inúmeros motivos para se afastar. Não aproximar.
Pegamos o voo.
E durante todas as quase duas horas que duraram aquela viagem algo ficou remoendo meus pensamentos: Por que?
Aquele silêncio continuou por dias... Por semanas... Por meses.
Não nos falamos mais.
Não nos vimos mais.
Vez ou outra, alguma memória ainda voltava.
Porém, nenhuma expectativa de reencontro.
Esse mundo virtual me pareceu bastante descartável após esse acontecimento.
Já havia passado 6 meses desde que nos encontramos.
Já quase não lembrava sequer da sua fisionomia.
Maio. Eram minhas férias. Saguão do aeroporto de Ribeirão. Aguardando o embarque para o voo a São Paulo.
De repente, vindo pelas minhas costas, alguém me puxa pelo braço.
"E aí, como é que você tá?"
Tive um pequeno delay para assimilar a informação.
Fred! Lembrei!
Espantada, exclamei há quanto tempo não nos falávamos.
Tivemos uma conversa rápida.
Viagem de férias ou a trabalho. Qual o destino. Quem já tinha ido. Quem não. Como estava o filho. Se o olho estava bem.
O máximo de assunto possível naqueles 5 minutos.
Apesar de ser provável, jamais esperaria encontrá-lo novamente.
E, principalmente, dele vir me cumprimentar.
Afinal, se eu fiz mesmo caras e bocas como todos disseram, ele tinha inúmeros motivos para se afastar. Não aproximar.
Pegamos o voo.
E durante todas as quase duas horas que duraram aquela viagem algo ficou remoendo meus pensamentos: Por que?
A primeira impressão
É comum do ser humano criar expectativas sobre algo ou alguém.
Também é comum que o não atingimento dessas expectativas cause frustrações.
Não vou negar que o tinha imaginado mais alto, mais forte e, até, mais bonito.
E é feio dizer que a primeira impressão que tive dele foi um pouco decepcionante.
Aliado a isso, ele recebeu toda a minha carga de tensão, medo, insegurança de ser o primeiro encontro que saiu do virtual para o real.
Por mais que você mantenha a mesma cautela em outros encontros, o "desconhecido" da primeira vez sempre vai te fazer agir de maneira mais defensiva.
Resultado: voltei contando aos colegas de trabalho que não havia gostado.
Segundo eles, eu nem precisava dizer, estava estampado na minha cara.
E sabe aquela história do "devo ligar no dia seguinte?"
Era assim que me encontrava.
Sem reação.
Não sabia se mandava mensagem.
Se esperava ele mandar.
Não sabia qual era o protocolo que devia seguir.
Resolvi esperar aquela adrenalina e misto de sentimentos passar para fazer algo mais racional.
No dia seguinte, escrevi agradecendo mais uma vez o chocolate e perguntando como ele estava.
Qual a resposta recebi?
"Ah, que bom! Achei que meu chocolate tinha te envenenado e você tinha morrido!"
Notei naquele momento que não tinha tomado a melhor decisão.
Também é comum que o não atingimento dessas expectativas cause frustrações.
Não vou negar que o tinha imaginado mais alto, mais forte e, até, mais bonito.
E é feio dizer que a primeira impressão que tive dele foi um pouco decepcionante.
Aliado a isso, ele recebeu toda a minha carga de tensão, medo, insegurança de ser o primeiro encontro que saiu do virtual para o real.
Por mais que você mantenha a mesma cautela em outros encontros, o "desconhecido" da primeira vez sempre vai te fazer agir de maneira mais defensiva.
Resultado: voltei contando aos colegas de trabalho que não havia gostado.
Segundo eles, eu nem precisava dizer, estava estampado na minha cara.
E sabe aquela história do "devo ligar no dia seguinte?"
Era assim que me encontrava.
Sem reação.
Não sabia se mandava mensagem.
Se esperava ele mandar.
Não sabia qual era o protocolo que devia seguir.
Resolvi esperar aquela adrenalina e misto de sentimentos passar para fazer algo mais racional.
No dia seguinte, escrevi agradecendo mais uma vez o chocolate e perguntando como ele estava.
Qual a resposta recebi?
"Ah, que bom! Achei que meu chocolate tinha te envenenado e você tinha morrido!"
Notei naquele momento que não tinha tomado a melhor decisão.
"Posso passar aí pra te ver?"
Refeitos do cansaço e da tediosa segunda-feira, continuamos ininterruptamente nosso papo.
Não precisávamos pensar sobre o que iríamos falar em seguida.
Um assunto puxava o outro e já nem lembrávamos como tudo começou.
"Terça-feira estou de volta a Ribeirão. Tenho retorno no oftalmo. Posso passar pra te ver? Assim, já aproveito e entrego seu chocolate!"
Mesmo com o receio de que ele não pudesse ser um bom sujeito como aparentava, não hesitei e aceitei. O que, a princípio, o espantou. Fazendo-o repetir a pergunta: "posso mesmo?"
"Claro. Se tiver algum problema os seguranças me protegerão de você!"
Eu falava em tom de brincadeira, mas no fundo era verdade. Estava na porta da empresa, em local público e se, realmente um imprevisto acontecesse, eu tinha a quem recorrer.
E, como dito, foi feito.
Após a consulta, era parada obrigatória o meu trabalho.
Toca meu celular, seu número identificado na tela, aquele frio na barriga:
"Estou aqui na porta"
"Já estou saindo"
Uma passada rápida no banheiro para dar aquela conferida na make, ver se o cabelo estava arrumado e se estava pronta para causar uma boa impressão.
É agora.
Lá estava ele. Calça social. Camisa azul. Óculos de sol.
Não sei se dou a mão, se abraço ou se beijo.
Vou deixá-lo fazer as honras.
Abraço e beijo fraternais foi a melhor opção para a saudação de encontro.
Podia sentir minhas mãos trêmulas e suadas de nervoso naquele instante.
Me entregou o chocolate, perguntou sobre o trabalho e sobre nosso seriado favorito.
Agradeci a gentileza, perguntei como tinha sido a consulta médica e pedi que tirasse seus óculos para verificar como estavam seus olhos.
E, apesar de sermos sempre bons comunicadores, naquele momento parece que o assunto acabou.
E um leve silêncio constrangedor tomou conta de nós.
Nos despedimos e cada um seguiu.
Ele, de volta a São Paulo.
Eu, de volta ao trabalho.
Não precisávamos pensar sobre o que iríamos falar em seguida.
Um assunto puxava o outro e já nem lembrávamos como tudo começou.
"Terça-feira estou de volta a Ribeirão. Tenho retorno no oftalmo. Posso passar pra te ver? Assim, já aproveito e entrego seu chocolate!"
Mesmo com o receio de que ele não pudesse ser um bom sujeito como aparentava, não hesitei e aceitei. O que, a princípio, o espantou. Fazendo-o repetir a pergunta: "posso mesmo?"
"Claro. Se tiver algum problema os seguranças me protegerão de você!"
Eu falava em tom de brincadeira, mas no fundo era verdade. Estava na porta da empresa, em local público e se, realmente um imprevisto acontecesse, eu tinha a quem recorrer.
E, como dito, foi feito.
Após a consulta, era parada obrigatória o meu trabalho.
Toca meu celular, seu número identificado na tela, aquele frio na barriga:
"Estou aqui na porta"
"Já estou saindo"
Uma passada rápida no banheiro para dar aquela conferida na make, ver se o cabelo estava arrumado e se estava pronta para causar uma boa impressão.
É agora.
Lá estava ele. Calça social. Camisa azul. Óculos de sol.
Não sei se dou a mão, se abraço ou se beijo.
Vou deixá-lo fazer as honras.
Abraço e beijo fraternais foi a melhor opção para a saudação de encontro.
Podia sentir minhas mãos trêmulas e suadas de nervoso naquele instante.
Me entregou o chocolate, perguntou sobre o trabalho e sobre nosso seriado favorito.
Agradeci a gentileza, perguntei como tinha sido a consulta médica e pedi que tirasse seus óculos para verificar como estavam seus olhos.
E, apesar de sermos sempre bons comunicadores, naquele momento parece que o assunto acabou.
E um leve silêncio constrangedor tomou conta de nós.
Nos despedimos e cada um seguiu.
Ele, de volta a São Paulo.
Eu, de volta ao trabalho.
RP -> SP
É tão clichê, mas sempre vale dizer: a internet aproxima quem está distante e afasta quem está próxima.
Ainda que não tivéssemos nos visto, parecíamos bem próximos.
Como acontecia toda semana, a noite de domingo chegou e era hora dele fazer as malas e partir de volta para a capital.
Dado ao meu exagero e às proporções dramáticas que aplico a tudo, era como se ele estivesse partindo para o Acre, para uma comunidade indígena onde era praticamente impossível ter qualquer contato com a civilização, nem por sinal de fumaça.
Um tanto absurda é essa comparação. Mas, o fato de aumentar a distância, por mais que permanecêssemos conectados, aumentava a sensação de insegurança de que aquele flerte (nossa! me senti um broto da Jovem Guarda usando esse termo) gostoso iria continuar.
Pé na estrada... Alguns bons quilômetros a frente... Algumas horas de viagem...
Optamos por não ficarmos offline nem assim.
Dirigindo, contrariando as normas de trânsito, correndo o risco de acidentes, as mensagens continuaram sendo trocadas.
Agora não mais digitadas.
Áudios.
Para facilitar a comunicação diante de tanto empecilho que havia agora.
A viagem acabou.
O cansaço bateu.
Banho e cama era o que tínhamos agora.
Ainda que não tivéssemos nos visto, parecíamos bem próximos.
Como acontecia toda semana, a noite de domingo chegou e era hora dele fazer as malas e partir de volta para a capital.
Dado ao meu exagero e às proporções dramáticas que aplico a tudo, era como se ele estivesse partindo para o Acre, para uma comunidade indígena onde era praticamente impossível ter qualquer contato com a civilização, nem por sinal de fumaça.
Um tanto absurda é essa comparação. Mas, o fato de aumentar a distância, por mais que permanecêssemos conectados, aumentava a sensação de insegurança de que aquele flerte (nossa! me senti um broto da Jovem Guarda usando esse termo) gostoso iria continuar.
Pé na estrada... Alguns bons quilômetros a frente... Algumas horas de viagem...
Optamos por não ficarmos offline nem assim.
Dirigindo, contrariando as normas de trânsito, correndo o risco de acidentes, as mensagens continuaram sendo trocadas.
Agora não mais digitadas.
Áudios.
Para facilitar a comunicação diante de tanto empecilho que havia agora.
A viagem acabou.
O cansaço bateu.
Banho e cama era o que tínhamos agora.
"Você é demais! Casa comigo?"
Feriado, quando não se tem dinheiro para viajar, é sempre aquele marasmo.
Aquele Sete de Setembro de 2014 seria diferente.
Nome: Fred
Idade: 30 e alguns anos (mais novo que eu)
Cidade: Durante a semana em SP, final de semana aqui.
Diretor de Negócios Internacionais de uma companhia aérea.
Poderia dizer que à regra dos fiascos do app, ele foi a exceção.
O assunto fluía com tamanha naturalidade que a tarde de sábado passou num piscar de olhos.
Apesar de o relógio mostrar que já estávamos há horas trocando mensagens, nem notamos esse passar de tempo.
Eu já sabia as frustrações do seu último relacionamento, o costume de levar seu filho pra tomar picolé na sorveteria do lado de sua casa (mesmo que antes nunca o tenha visto por lá), sua paixão por The Walking Dead, seu passado rock'n'roll, sua reação alérgica no olho quando fica estressado, as viagens que havia feito... Enfim, assunto entre a gente era o que não faltava. Era como se nos conhecêssemos há anos.
E, dentre todos esses temas, achamos um comum: chocolate!
Eu, apaixonada por meio amargo.
Ele, sem conseguir explicar por quê, com uma barra dessas em casa, recém trazida da Tanzânia.
"Parece que eu adivinhei que ia ser pra você!", disse ele tentando explicar a coincidência.
Impossível não baixar as guardas e se render a tanta gentileza. Soava como um discurso de um príncipe. Aquele cavalheiro à moda antiga. Mesmo com tantos dissabores no passado, preferiu trocar a amargura e depressão por elogios rasgados em cada frase dita.
Quem me diz como rejeitar uma proposta dessa?
"Siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim", respondi em alto e bom tom!
Se o mundo real iria compactuar com essa ideia, não sei.
Mas, no virtual, ela poderia, naquele momento mesmo, acontecer.
Aquele Sete de Setembro de 2014 seria diferente.
Nome: Fred
Idade: 30 e alguns anos (mais novo que eu)
Cidade: Durante a semana em SP, final de semana aqui.
Diretor de Negócios Internacionais de uma companhia aérea.
Poderia dizer que à regra dos fiascos do app, ele foi a exceção.
O assunto fluía com tamanha naturalidade que a tarde de sábado passou num piscar de olhos.
Apesar de o relógio mostrar que já estávamos há horas trocando mensagens, nem notamos esse passar de tempo.
Eu já sabia as frustrações do seu último relacionamento, o costume de levar seu filho pra tomar picolé na sorveteria do lado de sua casa (mesmo que antes nunca o tenha visto por lá), sua paixão por The Walking Dead, seu passado rock'n'roll, sua reação alérgica no olho quando fica estressado, as viagens que havia feito... Enfim, assunto entre a gente era o que não faltava. Era como se nos conhecêssemos há anos.
E, dentre todos esses temas, achamos um comum: chocolate!
Eu, apaixonada por meio amargo.
Ele, sem conseguir explicar por quê, com uma barra dessas em casa, recém trazida da Tanzânia.
"Parece que eu adivinhei que ia ser pra você!", disse ele tentando explicar a coincidência.
Impossível não baixar as guardas e se render a tanta gentileza. Soava como um discurso de um príncipe. Aquele cavalheiro à moda antiga. Mesmo com tantos dissabores no passado, preferiu trocar a amargura e depressão por elogios rasgados em cada frase dita.
Quem me diz como rejeitar uma proposta dessa?
"Siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim", respondi em alto e bom tom!
Se o mundo real iria compactuar com essa ideia, não sei.
Mas, no virtual, ela poderia, naquele momento mesmo, acontecer.
... E pra quem perguntar nos conhecemos na biblioteca!
Os dias foram passando...
Muitos “pra direita”, muitos “pra esquerda”.
É fato que chegou uma hora em que estava até difícil administrar tantas conversas ao mesmo tempo.
Sempre ficava aquele receio de trocar nomes, repetir perguntas ou contar as mesmas histórias mais uma vez.
Havia uma maneira simples de resolver isso. Tratar todos como “amor”, “lindo”, “querido” ou qualquer outro apelidinho meloso usado como tática para evitar gafes.
Como pra mim sempre foi complicado ter essa demonstração afetuosa sem ter intimidade, preferia colocar todos os meus neurônios em ação, botar a caixola pra funcionar e me esforçar ao máximo para não dar nenhum fora.
Funcionou.
O que nunca funcionou era sempre responder à temida pergunta: “Onde vocês se conheceram?”
Por que uma simples pergunta como essa pode trazer um peso tão grande na sua resposta?
Para muitas, conhecer um cara no bar da esquina ou conhece-lo no app não tem diferença nenhuma.
O meio para conhecer novas pessoas não importa.
Mas, para mim, já era algo fora do convencional. Principalmente pela fama que esse app carrega: “caçador de sexo casual”.
Confesso que sempre tive uma certa vergonha de expor, mesmo que seja na roda de amigos, que tinha lá um perfil criado.
Para aliviar a tensão do meu preconceito com tal atitude, naqueles poucos caracteres em que temos que nos descrever, finalizava meu texto com os dizeres: “... E pra quem perguntar nos conhecemos na biblioteca!”
Devo dizer que essa frase quebrou muitos “gelos” e foi o ponto de partida de muitas conversas.
Muitos “pra direita”, muitos “pra esquerda”.
É fato que chegou uma hora em que estava até difícil administrar tantas conversas ao mesmo tempo.
Sempre ficava aquele receio de trocar nomes, repetir perguntas ou contar as mesmas histórias mais uma vez.
Havia uma maneira simples de resolver isso. Tratar todos como “amor”, “lindo”, “querido” ou qualquer outro apelidinho meloso usado como tática para evitar gafes.
Como pra mim sempre foi complicado ter essa demonstração afetuosa sem ter intimidade, preferia colocar todos os meus neurônios em ação, botar a caixola pra funcionar e me esforçar ao máximo para não dar nenhum fora.
Funcionou.
O que nunca funcionou era sempre responder à temida pergunta: “Onde vocês se conheceram?”
Por que uma simples pergunta como essa pode trazer um peso tão grande na sua resposta?
Para muitas, conhecer um cara no bar da esquina ou conhece-lo no app não tem diferença nenhuma.
O meio para conhecer novas pessoas não importa.
Mas, para mim, já era algo fora do convencional. Principalmente pela fama que esse app carrega: “caçador de sexo casual”.
Confesso que sempre tive uma certa vergonha de expor, mesmo que seja na roda de amigos, que tinha lá um perfil criado.
Para aliviar a tensão do meu preconceito com tal atitude, naqueles poucos caracteres em que temos que nos descrever, finalizava meu texto com os dizeres: “... E pra quem perguntar nos conhecemos na biblioteca!”
Devo dizer que essa frase quebrou muitos “gelos” e foi o ponto de partida de muitas conversas.
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