domingo, 7 de agosto de 2016

Carne nova no pedaço

Temos que admitir que, ultimamente, estamos vivendo uma escassez de beleza naquela empresa.
Foi-se os tempos áureos de loiros, altos e engravatados.
Dado isso, quando uma "carne nova" aparece no pedaço é sempre aquele alvoroço.

Sempre tive a impressão de que ele era cheio de si.
Daqueles egocêntricos que se acham a última bolacha do pacote.
Parecia um reizinho desfilando pelos corredores (fiz questão de dizer isso a ele, quando tive oportunidade).

As mulheres (e os homens) não estavam perdoando mesmo.
Passavam, encaravam, mexiam, chamavam a atenção, ofereciam o telefone, se ofereciam...
Só não fazia negócio, se não quisesse.

Por mais que eu "pagasse pau" pra ele, adotei a postura de não demonstrar.
Ignorava.
Quando passava ao lado, fingia não existir ninguém ali.

Especialmente depois dos comentários que ouvi a respeito.
De que ele estava se gabando do sucesso que estava fazendo.
Resolvi, então, desfazer o pedido de amizade, já que, segundo ele, estava ficando insuportável as pessoas o adicionarem.

Dizem que homem é sempre assim: quanto mais é rejeitado, mais interessado fica.

Assim que excluí a solicitação, recebi o convite de volta.
Não iria negar o pedido, mas por mais que estivesse online naquele momento, resolvi demorar um pouquinho para confirmar a amizade.
Aquela bobeira que a gente tem de não querer parecer tão acessível assim... rsrs

Convite aceito.
Segundos depois, já pipocava na tela a janela de bate-papo.

Stalkear faz parte!

Quando você quer fazer um "approach" e não está muito certo sobre como e quando acontecer, as redes sociais contribuem enormemente pra resolver isso. 

O ato permanece o mesmo: XERETAR, mas agora ganhou um nome refinado: STALKEAR.

Aquela xeretada básica no perfil do Facebook, nunca fez mal a ninguém.
Checar idade, estado civil, lugares que costuma frequentar, as últimas fotos postadas...
Após essa "visitinha" despretensiosa conseguimos as informações necessárias para organizarmos um método assertivo de aproximação.

Nunca isso é feito sozinho.
Há sempre aquele seu best friend que vira seu comparsa nessa investigação.

E eu tenho um amigo muito bom nisso.
Quando trabalhamos em conjunto, o resultado é excelente ! rsrsrs.

Ficou na incumbência dele, então, encontrar o perfil do rapaz.
Não demorou muito e o link já estava no meu celular.
Devido às restrições que podemos configurar na nossa conta, não havia muito que eu, como "espiã", pudesse ver.
Algumas fotos de trabalhos como modelo (lindíssmo, por sinal), poucos posts recentes e estado civil não especificado.

E aí vem aquela dúvida: adiciono ou não adiciono aos meus amigos?
Óbvio, que a única razão da dúvida em adicionar é o fato de ficar claro que estávamos stalkeando seu perfil.
Fora isso, a certeza de enviar a solicitação era nítida.

Enfim, foi!
Convite enviado.

Enquanto ele não é aceito, fica martelando uma pergunta: e agora, quando encontrá-lo novamente nos corredores, o que fazer?

Uma pausa na vida virtual

Uma pausa na vida virtual.
Voltemos à vida real.

Desliguemos nossos visores.
Liguemos nossas visões.

Olhemos ao nosso redor...

É notório que toda mulher, consciente ou inconscientemente, nutri uma fantasia sobre homens e fardas.
Há mais do que se imagina do que um simples desejo por aquele uniforme.
É a caracterização do macho alfa.
Da masculinidade viril.
Daquele que sempre vai te oferecer conforto e segurança.
Que vai te proteger te todos os "meninos maus" que encontrar pelo caminho.

Pois bem...
Para se adequar às normas de segurança, a empresa em que trabalho, precisou modificar seu quadro de funcionários. 
Agora, trabalhando 24 horas por dia, haveriam bombeiros civis instalados no local.

Algo de extrema importância considerando-se a preservação de milhares de vida que diariamente exercem suas funções lá.

Não houve apresentações formais, para que soubéssemos a quem recorrer em caso de necessidade ou emergência.

Também não precisava...
Conseguíamos notar, ao longe, aquele belo rapaz fardado desfilando pelos corredores.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

- Um parênteses -

- Um parênteses - 

Nesse mundo virtual, tudo é muito descartável.
Tão fácil como encontrar pessoas, é tirá-las de sua vida.

Sempre acontece na mesma sequencia de fatos...
Parece até uma cartilha de regras aplicada a cada novo "match".

Nos primeiros dias é aquele desejo insaciável de manter contato.
Pela manhã, tarde ou noite, o celular insanamente notifica o recebimento de novas mensagens.
A bateria não dura o suficiente para colocar o papo em dia.
Há sempre aquela busca por um carregador ou uma tomada pra não ficar desligado nenhum minuto.

Após esse momento de frenesi, vem o momento de "evoluir" o papo.
Sim. Descobri nessas experiências que, como num jogo de video game, esses pseudo-relacionamentos virtuais também passam por fases.
Iniciam-se nas mais simples, como apanhar moedinhas, até chegar às mais complexas, ao "chefão".

O "apanhar moedinhas" é aquele checklist, quase que um interrogatório policial. 
De onde você é, com quem mora, onde trabalha, se estuda, se tem filhos, se já foi casada, o que gosta de fazer, o que gosta de ouvir, por que está solteira, por que terminou seu último relacionamento, dentre outras inúmeras perguntas que poderia ficar, infinitamente, listando aqui.
Só falta responder o saldo da sua conta bancária e o resultado do seu último exame de sangue.

O "chefão" começa sempre com um sutil "tem foto de corpo inteiro?".
Porque é preciso avaliar a "mercadoria" de cabo a rabo, literalmente.
Isso quando se encontra alguém sutil.
Do contrário já pipoca na sua tela uma foto do berimbau, esperando que você retribua a "gentileza" com o retrato da sua grutinha. rsrsrs.

Não mandou nudes? Bloqueada!

Ainda na fase "chefão", é chegada a hora de trocar o touch pelo toque. Cabe a você decidir com quanto tempo irá querer ter seu primeiro encontro real: em horas, dias, semanas ou meses...

Demorou pra sair do virtual pro real? Deletada!

Apesar de todos, teoricamente, dizerem aceitar essas "regras" virtuais, na prática, a minoria está disposta a negociá-las.

Next!

Entre encontros e desencontros...
Chegadas e partidas...
Muitos passageiros ocuparam as poltronas desse vôo até então fracassado.

A lista não foi pequena.
Tantos permaneceram anônimos... Eram apenas mais um "+55 xx xxxxxx" no meu telefone.
Outros ganhavam nomes. 
Geralmente acompanhados de um sobrenome "T" para identificar a origem daquele contato.



Poltrona 1:
Combinado no dia 31/12. Aquele paulistano que veio passar as festas de final de ano com a família no interior. Um dos primeiros a te desejar um Feliz Ano Novo.

Poltrona 2:
Combinado no dia 02/01. Mecânico de aviação, recém chegado à cidade para trabalhar em uma companhia aérea local. Sempre ficava feliz em ouvir minha voz.

Poltrona 3: 
Combinado no dia 15/02. Ribeirãopretano vivendo em Boston. Passando férias na cidade. Encantado com meu sorriso e alegria nas fotos, dizia fazer questão de me conhecer.

Poltrona 4:
Combinado no dia 05/03. Árabe. Cirurgião buco-maxilo-facial (que dificuldade para falar isso) que chegou à cidade para fazer especialização. Vindo de uma terra onde tinha poucas (ou nenhuma!) opções, só reclamava daqui. Chato!

Poltrona 5: 
Combinado no dia 20/04. Formado em Educação Física. Alto, com ares de viking. Mochileiro viajante. Sua foto com um filhote de coala era o charme do seu perfil.

Poltrona 6: 
Combinado no dia 05/07. Eduardo. 5 anos mais novo. Advogado formado. Não atuante. Preferia administrar sua empresa. Tímido, mas falante. 

Mal sabia eu que este último passageiro ia me dar trabalho...

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Uma mala no caminho

Como é de praxe em toda viagem que faço, minha mala sempre causa uma história pra contar.
Quando não é extraviada e roubada, perde as rodinhas pelo decorrer do caminho.
Dessa vez, não foi diferente. Parecia ter sido atacada por um pitbull feroz, destruindo tudo que via pela frente.


Evitei tocar nesse assunto durante nossas conversas para não parecer uma interesseira, buscando uma maneira de resolver esse problema.
Porém, ele prontamente se dispôs a me ajudar no atendimento interno a funcionários da empresa.
Trocamos algumas informações sobre esse acidente, protocolos de reclamação pra lá, fotos do furgão de reparos de mala pra cá, mala pra cá, mala pra lá, e pronto! 
Problema resolvido.
Mala devolvida em perfeito estado. Tinindo como nova.

Como minha mãe sempre me ensinou, quando recebemos a Tupperware cheia, precisamos devolvê-la cheia.
Então, eu precisava agradecer a sua prestatividade.

Sempre que estava numa situação ruim ou desconfortável, ele falava pra eu pensar em pizza, que tudo ficava melhor com pizza.
Taí! Pizza!
Vou agradecê-lo convidando-o para comer uma pizza.

Dessa vez, pensei cuidadosamente em cada palavra que escrevia.
Escrevi a mensagem da maneira mais sutil possível.

Enviada.

Óbvio que mesmo que ele rejeitasse o convite, o faria da maneira mais elegante possível.

"Vamos combinar, sim! Vou ver direitinho aqui e te aviso."

E essa confirmação não chegou naquela semana.
Lembra daquela minha teimosia e insistência? Olha ela aqui de novo...
Na semana seguinte o convite se repetiu.
E novamente um vácuo se repetiu.

Estava evidente a falta de interesse para a gordice italiana (à pizza e à mim! rs)...
Compreensível.
Oportunidades não aparecem duas vezes.
Se você não soube aproveitá-las da primeira vez, não adianta chorar o leite derramado.

E, pelas coincidências da vida, um ano depois, novamente Maio, quem encontro pelas ruas do centro da cidade? rsrsrsrs...

PS: Se um dia ler essa história, saiba que sua hombridade é admirável e que me arrependo por não ter feito de uma maneira melhor esse nosso encontro! ;-*

Tentando encontrar explicação

Por que?
Ainda estava tentando encontrar uma explicação para aquele fato.

Não encontrava.

A questão é que isso me caiu como um tapa de luva de pelica.
Me mostrando como eu havia sido rude e ele, mesmo com tanto desprezo, ainda teve generosidade de me cumprimentar.

Como um choque de arrependimento, vi que precisava me retratar.
Mas, como, se até seu número de telefone eu já havia deletado?

Redes Sociais!
Da mesma maneira que nos encontramos anteriormente, faríamos agora.
Hoje em dia não há uma criatura sequer que não tenha um perfil no Facebook.
Apesar de não lembrar qual era seu sobrenome, é bem simples encontrar qualquer pessoa que use seus dados verdadeiros na descrição.
Uma combinação de nome + cidade, ou nome + empresa e BINGO! 
Perfil encontrado.

Nesse ponto, ter a cara de pau de adicionar e mandar mensagem não era nada diante do que já tinha acontecido.

Convite de solicitação de amizade enviado.
Aceito.

Mensagem enviada:
"Bacana te encontrar. Gostei de rever você!"
Mensagem visualizada e respondida.
Como acontecia anteriormente.