sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A carona

Os dias foram passando...
Já fazia meses que conversávamos.
Descobrimos que tínhamos enormes diferenças.
Ele preferia a noite. Eu, o dia.
Coisas simples que eu fazia, ele ainda não tinha experimentado.
Já o havia convidado várias vezes para sair.
Agora sem nenhuma intenção a não ser nos divertirmos como amigos. Eu tinha aceitado a realidade de não tê-lo.
Uma rodada de boliche ou um simples happy hour de espetinhos no buteco próximo ao trabalho.
Sempre ele estava sem dinheiro ou, por ‘n’ outras razões não poderia ir.
Acho que ele temia que eu o agarrasse, seqüestrasse, abduzisse ou coisa assim.
Decidi que não o convidaria mais.
Continuamos nos falando... Estando em casa ou não, pelo computador ou pelo celular.
Determinado dia, quando ele saiu para sacar dinheiro num terminal de atendimento eletrônico do seu banco, seu carro parou de funcionar sem nenhuma razão aparente.
Momentaneamente o problema foi resolvido acionando-se o seguro, mas até que fosse solucionado definitivamente, ele teria que ir ao trabalho a pé.
A caminhada não era curta e, à noite, o local se tornava um tanto quanto perigoso.
Ele já havia me dito onde morava. Ficava no meu trajeto casa-trabalho.
Nossos horários estavam coincidindo e lhe ofereci uma carona.
Para minha surpresa, ele aceitou.
E assim fiz por uma, duas, três... sei lá quantas vezes.
Buscando-o às sete horas da manhã ou deixando-o em casa às oito horas da noite.
Sempre que ele entrava no carro, esperava que viesse me cumprimentar com um beijo no rosto.
Mas esperava ainda mais que, quando ele estivesse descendo, se despedisse com um longo beijo na boca.
ATITUDE. Olhava fixa e intensamente em seus olhos esperando que a qualquer momento ele agisse assim.
Não aconteceu. Até pensei (e muito!) em tomar essa atitude, mas a insegurança de ter sido dispensada uma vez não me deixou.

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