Os dias foram passando...
Já fazia meses que conversávamos.
Descobrimos que tínhamos enormes diferenças.
Ele preferia a noite. Eu, o dia.
Coisas simples que eu fazia, ele ainda não tinha
experimentado.
Já o havia convidado várias vezes para sair.
Agora sem nenhuma intenção a não ser nos divertirmos como
amigos. Eu tinha aceitado a realidade de não tê-lo.
Uma rodada de boliche ou um simples happy hour de espetinhos no buteco
próximo ao trabalho.
Sempre ele estava sem dinheiro ou, por ‘n’ outras razões não poderia ir.
Acho que ele temia que eu o agarrasse, seqüestrasse,
abduzisse ou coisa assim.
Decidi que não o convidaria mais.
Continuamos nos falando... Estando em casa ou não, pelo
computador ou pelo celular.
Determinado dia, quando ele saiu para sacar dinheiro num
terminal de atendimento eletrônico do seu banco, seu carro parou de funcionar sem
nenhuma razão aparente.
Momentaneamente o problema foi resolvido acionando-se o
seguro, mas até que fosse solucionado definitivamente, ele teria que ir ao
trabalho a pé.
A caminhada não era curta e, à noite, o local se tornava um
tanto quanto perigoso.
Ele já havia me dito onde morava. Ficava no meu trajeto
casa-trabalho.
Nossos horários estavam coincidindo e lhe ofereci uma carona.
Para minha surpresa, ele aceitou.
E assim fiz por uma, duas, três... sei lá quantas vezes.
Buscando-o às sete horas da manhã ou deixando-o em casa às
oito horas da noite.
Sempre que ele entrava no carro, esperava que viesse me
cumprimentar com um beijo no rosto.
Mas esperava ainda mais que, quando ele estivesse descendo,
se despedisse com um longo beijo na boca.
ATITUDE. Olhava fixa e intensamente em seus olhos esperando
que a qualquer momento ele agisse assim.
Não aconteceu. Até pensei (e muito!) em tomar essa atitude,
mas a insegurança de ter sido dispensada uma vez não me deixou.
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