Na linguagem vulgar, "levar um tombo" tem o significado de enganar, passar a perna, tirar vantagem ilícita. Para mim, tem o sentido mais literal da frase: cair ao solo, descer no espaço em virtude da gravidade, prostar-se. É fato e evidente que eu e o chão temos uma atração física imensurável... e diga-se de passagem, inevitável. Hoje, mais uma vez, tive uma prova clara disso.
Moro em um pequeno condomínio formado por quatro apartamentos. O síndico, recém designado para a administração do prédio, mas até então provisoriamente entitulado, vive em um desses apartamentos. Inclusive, no momento do acontecido, não estava presente. Suas recentes preocupações se davam por detalhes que, para qualquer outra pessoa que pensasse no bem-estar coletivo, passariam despercebido. "Precisa-se limpar as teias-de-aranha do extintores"... "Devemos pintar as escadarias em tons de amarelo e laranja para dar mais luminosidade ao ambiente", ouvia-se em seus discursos. Claro que se contratamos uma pessoa para zelar pelas dependências do lugar, queremos que ela o mantenha limpo da melhor maneira possível. Mas sabe aquela velha história de que "por fora bela viola, por dentro pão bolorento"? Certamente esse dito popular nunca foi tão bem empregado. Enquanto concentrava seus esforços em algo, sob meu ponto de vista, inútil, apesar de ter sido sinalizado anteriormente, esqueceu-se de conferir a situação da caixa de gordura do edifício que, já sem capacidade de armazenamento, vazou. Parte da garagem foi então afetada com seus resíduos, sem contar com o cheiro que ficou impregnado lá por horas. Reconheço que sou teimosa e que minha teimosia nem sempre me traz bons resultados. Como de costume, fui até a garagem, que fica no subsolo do prédio, para pegar meu carro e ir para o trabalho. Minha mãe, me alertando: "toma cuidado pra não escorregar!". Ah, se eu a estivesse escutado... Desci o primeiro lance de escadas e, com um leve escorregão, percebi que não ia dar muito certo. Mas insisti. "Não mãe, não tem probl...". Não fui capaz nem de concluir a frase sem que antes estivesse alí, de joelhos no chão! Apesar do meu sapateado frenético, que não deixaria nada a dever a Fred Astaire, não consegui manter o equilíbrio. Bolsa para um lado, a marmita para outro e a chave do carro lançada a alguns centímetros. Numa fração de segundos aquele piso tinha se transformado numa mistura de vaselina concentrada, com sabão, com mais qualquer outra substância, a mais escorregadia possível que se possa imaginar. A raiva e a dor, naquele instante, tomaram conta do meu ser. Voltei pra casa, tomei um banho e troquei de roupa. Só depois, pude sair para trabalhar. Já com a sensação de que tinha começado muito bem meu dia. Depois que passa, a gente até ri.
Conclusões:
1 - Como já dizia o sábio Forrest Gump: "Shit happens!"
2 - Do chão realmente não passa!
3 - SEMPRE devemos ouvir os conselhos de mãe
4 - Mais um hematoma para as dezenas que já possuo.
5 - Já posso ser escalada para ser a personagem principal de "Happy Feet"... rsrs
6 - Não ria de um amigo seu já passou por isso! Cedo ou tarde pode ser você!
Haha, eu tenho que rir, porque nem cedo e nem tarde, comigo acontece frequentemente, haha.
ResponderExcluirCurti o blog, Ana, como diria a Izaura, CONGRATULAAATIONS.